Sarau Outras Palavras reúne diversas expressões artísticas na Casa da Palavra, enquanto publicação sobre letramento racial será lançada na Biblioteca Nair Lacerda Foto: Eduardo Merlino

A arte, seja qual for seu formato, é um inegável veículo de expressão do sentimento humano. A ideia foi o ponto de partida para a criação do sarau Outras Palavras, que chega em sua quarta edição na Casa da Palavra Mário Quintana neste sábado (22), a partir das 15h. Além da poesia e da literatura, o evento abre espaço para outras linguagens como a dança, a música e o teatro. No mesmo dia, mas na Biblioteca Nair Lacerda, no Paço Municipal, às 14h, acontece o lançamento do livro ‘Letramento Racial na USP: um percurso’, organizado pelo professor e educador Raimundo Nonato. Os dois eventos são gratuitos.

O quarteto de cordas da Orquestra Locomotiva abrirá o sarau. “O objetivo dos saraus Outras Palavras é promover um encontro que celebra a arte em suas mais diversas formas, promovendo uma troca muito rica não só entre os criadores de cultura e o público ao proporcionar momentos de reflexão, diversão e emoção, mas também entre os artistas. Quem está acostumado a produzir arte em sua própria linguagem tem contato com outras linguagens, outras formas de expressão, e ganha a oportunidade de prestigiar os colegas que também são apaixonados pela arte”, diz o coordenador da Casa da Palavra, Júlio Mendonça.

“Em um mundo onde as interações entre as pessoas, e até mesmo o contato com a literatura e a música, acontecem por meio de telas, encontrar um espaço onde a arte em suas várias linguagens é apresentada olho no olho, ao vivo em um espaço que aproxima, acaba sendo um ato revolucionário”, diz a produtora cultural Sonia Varuzza. Para o sarau deste sábado estão confirmadas as participações dos pianistas Gabriel Torrer e Henrique Paçoca, do escritor Eduardo Kaze, além do quarteto de cordas da Orquestra Locomotiva.

O sarau tradicional, nos seus primórdios, entre os séculos 18 e 19, era um evento aristocrático, onde a elite se reunia para ouvir piano, recitar versos clássicos, debater política e socializar. “Atualmente o perfil do encontro mudou muito. O sarau de hoje, pelo contrário, se tornou uma ferramenta de democratização, ocupação do espaço e de troca de saberes”, acrescenta Sonia.

Letramento racial – Também no sábado (22), mas na Biblioteca Nair Lacerda, no Paço Municipal, acontece o lançamento do livro ‘Letramento Racial na USP: um percurso’, organizado por Raimundo Nonato, professor e pesquisador. O evento será realizado às 14h.

Na obra, Nonato explora um percurso que começa muito antes da Universidade de São Paulo, atravessa políticas de ações afirmativas, práticas educativas antirracistas e experiências de resistência, e segue em direção ao chão de escola, onde as histórias seguem sendo construídas sistematicamente todos os dias.

Dessa forma, “Letramento Racial na USP: um percurso” reafirma que a universidade pública, quando se abre ao diálogo com as escolas e reconhece os saberes produzidos por trajetórias historicamente silenciadas, pode se tornar espaço de aquilombamento, produção de conhecimento e transformação social.