
O Shopping ABC, em Santo André, foi palco nesta semana de uma conversa sobre um tema que costuma ficar restrito aos consultórios: a escolha do parto normal. Dirigentes do Hospital da Mulher de Santo André, unidade gerida pela Fundação do ABC em parceria com a Prefeitura, participaram de uma roda de conversa com Carla Capuano, fundadora da organização da sociedade civil (OSC) A Casita, e representantes do UNICEF, como parte da programação do Mês da Conscientização do Parto Normal.
O encontro em 30 de setembro integra a campanha “Uma vida, novos sentidos”, que ocupa o Piso 2 do shopping até 1º de novembro e é realizada pela A Casita, organização especializada em humanização do parto. Em Santo André, 29 de setembro é, desde 2025, o Dia da Conscientização do Parto Normal, instituído por uma lei municipal da qual Carla foi coautora.
Representando o hospital, o diretor clínico, Dr. Kevin Oliveira, ginecologista e obstetra, defendeu que a qualidade da assistência vai além do resultado clínico. Segundo ele, a segurança da mãe e do bebê é essencial, mas a experiência vivida pela mulher também deve ser considerada. “Humanizar não é abrir mão da ciência. Humanizar é unir evidência científica, segurança e autonomia”, afirmou.
O médico explicou que o cuidado começa no pré-natal e depende da atuação integrada de uma equipe multiprofissional, com médicos, enfermeiros, psicólogos e agentes comunitários de saúde. “O parto desejado precisa ser, acima de tudo, informado, respeitado e seguro”, disse.
HUMANIZAÇÃO
A gerente administrativa do Hospital da Mulher, Elisabete Tavares, abordou os desafios e as ações em andamento. Ela lembrou que muitas gestantes realizam todo o pré-natal na Atenção Básica e chegam ao hospital sem conhecer as práticas de humanização adotadas durante o parto normal. “Principalmente na primeira gestação, muitas mulheres têm medo da dor do trabalho de parto, associando esse processo ao sofrimento. Elas não sabem que dispomos de uma ambiência adequada e individualizada, com suítes PPP (pré-parto, parto e pós-parto)”.
Ela também listou outras propostas do hospital para tornar o nascimento mais tranquilo. “Também temos outros métodos não farmacológicos, como bola de pilates, barra, balanço pélvico, banqueta e hidroterapia. Quando necessário, oferecemos métodos farmacológicos para o alívio da dor, como analgésicos”, explicou. Tudo isso para que a mãe se sinta respeitada e acolhida e seja protagonista do próprio dar à luz.
Para ampliar esse conhecimento na rede, o hospital prepara, em parceria com a Secretaria de Saúde de Santo André, duas novidades: o protocolo de atendimento, na Atenção Básica, às gestantes de risco habitual, e o plano de parto do município, no qual a gestante registrará suas preferências, inclusive em relação à via de parto.
O lançamento está marcado para 26 de outubro, no Hospital da Mulher. Depois disso, os médicos do hospital farão o matriciamento nas unidades básicas dos sete territórios da cidade, orientando médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde. “Com isso, vamos melhorar a comunicação e fazer com que elas cheguem mais bem orientadas ao hospital”, afirmou Elisabete.
O Hospital da Mulher é responsável por 100% dos partos realizados pelo SUS em Santo André, com média de 250 procedimentos por mês. Para o Dr. Kevin, o objetivo é simples de expressar, embora exija trabalho diário. “Queremos que cada mulher possa olhar para o nascimento do próprio filho e dizer que foi ouvida, respeitada, acolhida e cuidada com segurança”.
















