O Tribunal de Justiça de São Paulo tornou réu o empresário Saul Klein, filho do fundador da Casas Bahia, por quatro crimes ligados à exploração sexual de mulheres e organização criminosa. A decisão da 2ª Vara Criminal de Barueri foi assinada na última segunda-feira (11) e o processo corre sob sigilo. As informações são do Portal G1.
Segundo a denúncia aceita parcialmente pela Justiça, Saul Klein, de 72 anos, responderá por: Favorecimento da prostituição ou exploração sexual de vulnerável; favorecimento à prostituição mediante violência ou grave ameaça; aliciamento mediante grave ameaça e organização criminosa.
A decisão também inclui acusação de favorecimento da prostituição ou exploração sexual de criança, adolescente ou vulnerável.
A defesa do empresário, representada pelo advogado Alberto Zacharias Toron, afirmou que a Justiça afastou as acusações de estupro, cárcere privado e redução à condição análoga à de escravo.
Em nota, os advogados sustentam que “a relação mantida entre as partes era livre e consensual”, dentro de uma dinâmica conhecida como “sugar daddy” e “sugar baby”, expressão utilizada para definir relacionamentos entre homens mais velhos e mulheres mais jovens com vantagens financeiras envolvidas.
“A decisão judicial, em linha com o entendimento já parcialmente adotado pelo próprio Ministério Público, afastou as imputações de estupro, cárcere privado e redução à condição análoga à de escravo. Em relação às acusações remanescentes, o magistrado destacou a relevância da tese defensiva de que a relação mantida entre as partes era livre e consensual”, afirmou a defesa.
O caso ganhou repercussão nacional em dezembro de 2020, após reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo, trazer relatos de vítimas sobre festas promovidas pelo empresário.
Em maio de 2021, reportagem do UOL divulgou vídeo em que Saul Klein afirmava ter pago R$ 800 mil para silenciar vítimas. Segundo a publicação, duas mulheres teriam recebido valores após frequentarem propriedades do empresário em Barueri, na Grande São Paulo.
Os depoimentos reunidos no processo apontam uma suposta dinâmica de recrutamento de mulheres e adolescentes por meio de promessas de trabalho. Uma das vítimas relatou ter sido recrutada entre 2011 e 2013 acreditando participar de “eventos de showroom”.
As acusações envolvendo Saul Klein também reacenderam denúncias antigas contra seu pai, Samuel Klein, morto em 2014. Em 2021, reportagem da Agência Pública revelou relatos de mais de 35 pessoas, entre ex-funcionários, advogados e mulheres que afirmam ter sido vítimas de abusos.
Em 2023, Saul Klein também foi condenado pela Justiça do Trabalho ao pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos.



















