Orian Gerbeli se aposentada depois de 50 anos na catequização de crianças e jovens

O bairro Baeta Neves, em São Bernardo do Campo, ainda era uma grande área pouco habitada quando Orian Gerbelli, uma menina de apenas 14 anos, chegou para morar com a tia. A família, vinda do bairro de Santana, Zona Norte da capital paulista, torna-se naquele momento vizinha da avó materna de Orian, dona Justina Justi de Cândido, uma das primeiras moradoras do bairro.

            Orian, menina obediente, vivia com a família da tia desde que a mãe falecera, quando ela tinha apenas 12 anos de idade, seis anos após a morte do pai. Portanto, a orfandade fez parte de sua vida muito cedo. Mas a dor causada por perdas tão difíceis para uma criança nunca foi motivo para endurecer seu coração. Ao contrário, foi no amor de Cristo que ela encontrou uma de suas maiores missões de vida: ser catequista.

Em 2021, próximo de completar 85 anos de idade, dona Orian comemora 50 anos dedicados à catequese da igreja matriz de São Bernardo do Campo. Casada com Sidney Gerbelli (in memorian), em 1957, Orian dedicou os primeiros anos do matrimônio para formar sua família. Orian teve um menino, Sidney Jr., e duas meninas: Selma e Tânia. A família cresceu e hoje, além dos filhos, sete netos e seis bisnetos fazem parte da sua história.
 

            Apenas em 1971, após participar de um Cursilho, espécie de imersão sobre a doutrina católica, ingressou como catequista na matriz de São Bernardo para trilhar uma trajetória de fé e dedicação à formação cristã das novas gerações. “Ser catequista foi a melhor decisão que tomei em toda minha vida. É uma missão não apenas de doação, mas também de muito aprendizado com as crianças e seus pais e responsáveis”, afirma dona Orian.

           Mas, meio século dedicado à catequese requer habilidade e algum segredo. Segundo a catequista, sua personalidade comunicativa ajudou, mas o segredo mesmo foi adaptar o evangelho aos tempos atuais. Ela explica que, por exemplo, quando lemos na Bíblia: “não matarás”, não devemos pensar apenas em armas, mas também nas palavras que, conforme ressalta, “podem levar uma pessoa à morte, caso sejam ofensivas ao nosso próximo”.

E não foram apenas os sábios ensinamentos de dona Orian que garantiram tantos anos de evangelização à sociedade são-bernardense. Sem dúvida, sua atenção às evoluções do seu tempo também contribuíram. Ano passado, quando a pandemia da COVID-19 limitou especialmente os idosos de manterem atividades sociais, ela tratou de encontrar uma solução atual para driblar os limites dos encontros com os pequenos alunos.

   Dona Orian passou a ministrar as aulas da catequese através da plataforma de vídeo Zoom, toda quarta-feira à noite. Aquela jovem senhora que há 50 anos adotou a missão de ensinar a palavra de Jesus Cristo a novas gerações católicas, agora anuncia sua aposentadoria com louvor e como exemplo de cidadania e superação.
    “Acho que, após 50 anos, já posso parar. Foram milhares de crianças orientadas por mim antes da Primeira Comunhão. Teve até quem se tornasse padre, como foi o caso do padre Leonardo, que foi ordenado na nossa matriz e hoje está em paróquia nos Estados Unidos”.

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