Capa do livro Meninos Malabares – Retratos do Trabalho Infantil no Brasil. Foto: Divulgação
Capa do livro Meninos Malabares – Retratos do Trabalho Infantil no Brasil. Foto: Divulgação

O Trabalho de Conclusão de Curso em 2010 já antecipava os rumos que a jornalista Bruna Ribeiro daria à carreira: o TCC foi um livro-reportagem sobre a vida de meninas internas da Fundação Casa. De lá para cá, o tema dos direitos de crianças e adolescentes aprofundou-se no exercício da profissão e ganha um ponto alto neste 12 de junho, quando a ex-aluna da Universidade Metodista de São Paulo lançará Meninos Malabares – Retratos do Trabalho Infantil no Brasil, pela Panda Books.

Bruna Ribeiro. Foto: Divulgação

O livro retrata pelo menos uma dezena entre diversas formas de trabalho infantil que Bruna vem registrando ao longo dos anos para redações em que trabalhou, como Jornal da Tarde, Veja São Paulo e Estadão, onde mantém um blog. Até que em 2016 travou seu primeiro contato mais direto com organizações da sociedade civil, conseguindo uma vaga de repórter em um projeto de enfrentamento ao trabalho infantil, a Cidade Escola Aprendiz, fundada por ninguém menos que o mestre jornalista Gilberto Dimenstein.

Meninos Malabares expõe uma ferida que não cicratiza no Brasil: crianças em busca de alguns trocados nos faróis, cemitérios, praias, feira livre, campo, lanchonete, oficina de costura, lixão e, mais atualmente, a mendicância na pandemia. “Depois trago um 11º perfil, chamado ‘Um possível recomeço’, onde apresento a história de uma família que está conseguindo romper esse ciclo. Por fim, um capítulo de dados e análises sobre trabalho infantil, para contextualizar a violação no Brasil”, relata Bruna Ribeiro, que tem a parceria de Tiago Queiroz Luciano, fotojornalista com quem já havia trabalhado no Estadão.

Dia Mundial

O lançamento da obra em 12 de junho não é casual. Nessa data se celebra o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil. A ONU declarou 2021 como Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil, um cenário agravado com a pandemia de covid-19.

“É muito triste a situação da fome durante a pandemia. Logo em março de 2020, quando começou o isolamento social e todos os comércios estavam fechados, crianças faziam fila na porta de restaurantes em busca de doação de marmitas”, conta ela em uma passagem do livro.

Segundo dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (rede Penssan), mais da metade da população (55,2%) estava em situação de insegurança alimentar (sem certeza de comida no dia seguinte) no final de 2020.

O trabalho infantil no lixão de São Paulo é outro relato impactante: “A escola mais próxima fica a 40 minutos a pé e é muito difícil encontrar um adolescente que ainda estude. Falta acesso a saneamento básico em cerca de 40% das casas e até 70% das residências consomem energia de forma irregular. Há uma montanha imensa de lixo, escalada por crianças e famílias em busca de material reciclável”, afirma Bruna Ribeiro, que pós-graduou-se em Direito Internacional na PUC-SP, com extensão na Academia de Direito Internacional de Haia, na Holanda.

A Cidade Escola Aprendiz onde a ex-aluna da Metodista atua é uma organização que produz conteúdo sobre educação integral e direitos de crianças e adolescentes. Atualmente Bruna é gestora deste projeto, que leva o nome de Criança Livre de Trabalho Infantil. O livro será vendido em livrarias, pela internet e já está disponível no site da editora Panda Books.

https://www.pandabooks.com.br/panda-books/meninos-malabares-retratos-do-trabalho-infantil-no-brasil

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