A Prefeitura de Diadema oficializou, em coletiva de imprensa realizada no dia 15 de abril, um acordo histórico com a União que reduziu em 79% a dívida do município, abrindo caminho para novos investimentos e recuperação da capacidade financeira da cidade.
O anúncio foi feito pelo prefeito Taka Yamauchi e pelo secretário de Finanças José Luiz Gavinelli, que detalharam o processo de renegociação de um passivo originado em contrato firmado no ano 2000.

Ao longo de 25 anos, a dívida saltou de R$ 36,9 milhões para R$ 958,8 milhões — crescimento superior a 2.400% — colocando Diadema entre os maiores devedores do país. Com a revisão, o valor foi reduzido para R$ 198,2 milhões, gerando economia de mais de R$ 760 milhões aos cofres públicos.
Segundo a administração municipal, a situação era agravada por decisões judiciais que permitiam o pagamento de parcelas reduzidas, mas não amortizavam o débito, criando um efeito conhecido como “bola de neve”. “A situação era desesperadora; um total descaso com a cidade”, afirmou o prefeito.
A renegociação foi viabilizada com base na Lei Complementar 148/2014, após tratativas com o Banco do Brasil e a Secretaria do Tesouro Nacional.
Impactos imediatos
Além da expressiva redução do saldo devedor, o acordo diminuiu o comprometimento da Receita Corrente Líquida (RCL) do município, que caiu de 53% para 11%. O indicador é fundamental para medir a saúde fiscal da cidade e influencia diretamente a capacidade de investimento e cumprimento de obrigações.
A dívida também representava risco constante de bloqueios de recursos do Fundo de Participação dos Municípios, o que já havia ocorrido no fim de 2024 e início de 2025, com retenções superiores a R$ 4,2 milhões.

Nova perspectiva
Com o novo cenário, a Prefeitura projeta ampliar investimentos em infraestrutura e serviços públicos. De acordo com o prefeito, já há uma lista de cerca de 140 obras planejadas, entre intervenções de pequeno, médio e grande porte.
A reestruturação fiscal também recoloca Diadema no radar de instituições financeiras, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, permitindo ao município pleitear novos financiamentos — algo inviável até então devido ao alto nível de endividamento.
“Antes, investidores evitavam a cidade. Agora, começamos a ter alternativas e perspectivas reais de crescimento”, destacou o chefe do Executivo.
Transparência e herança fiscal
Durante a coletiva, o secretário de Finanças apontou que a dívida não teria sido informada oficialmente à equipe de transição da atual gestão, sendo conhecida apenas de forma extraoficial na véspera da posse.

Ele também ressaltou que, apesar de pagamentos realizados ao longo dos anos, nenhum valor foi efetivamente destinado à quitação do principal da dívida, o que contribuiu para o crescimento exponencial do débito.
Reconhecimento interno
O prefeito aproveitou a ocasião para elogiar o trabalho técnico da equipe econômica. “Foi uma virada construída com competência e comprometimento. Hoje, Diadema volta a ter capacidade de investimento e planejamento”, afirmou.
Com o acordo, a administração municipal considera que inicia um novo ciclo de equilíbrio fiscal, com mais segurança para manter serviços essenciais e avançar em projetos estruturantes.



















