Formação inovadora vai proporcionar experiência de imersão e observação de músicos e instrumentos; três maestros vão estar na regência deste espetáculo, em parceria com a Filarmônica de Pasárgada

A Orquestra Sinfônica de Santo André (Ossa) vai proporcionar uma experiência diferente para o público que assistir ao concerto deste mês, chamado Multiorquestras, neste final de semana. As apresentações gratuitas acontecem no sábado (27), às 19h30, e no domingo (28), às 11h, no Teatro Municipal Maestro Flavio Florence.

Dividida em três orquestras menores, a Sinfônica andreense vai ocupar o palco principal e os dois palcos laterais do Teatro Municipal para interpretar obras criadas especialmente para mais de uma orquestra.

Os ingressos devem ser retirados na bilheteria do teatro, uma hora antes do espetáculo, com limite de uma unidade por pessoa. Pede-se a doação de 2 kg de alimentos não perecíveis.

No espetáculo, além da sensação de imersão, a plateia poderá observar três maestros no palco simultaneamente e a movimentação dos profissionais para a configuração perfeita dos instrumentos. “Cada uma das músicas tem uma formação diferente das orquestras e por isso haverá muita movimentação. As pessoas não ficam fixas nos palcos, é um espetáculo completamente fora das rotinas com as quais estamos acostumados, tanto em relação à técnica e montagem, quanto à parte artística”, explica o maestro Abel Rocha. Além dele, o concerto terá a regência do maestro Marcelo Falcão e do maestro Renan Cardoso, de Belém, que traz no currículo a regência da Filarmônica da Fundação Amazônica de Música.

O repertório será composto pela obra de Johann Christian Bach – filho mais famoso de Johann Sebastian Bach – para duas orquestras, chamada Op.18 No.3, Sinfonia em Ré Maior. Johann Cristian Bach. que viveu na Itália e na Inglaterra, mudou o rumo da música instrumental de sua época, sendo um dos grandes mentores de outro compositor imortal, Mozart.

Outra obra que faz parte do repertório é “A Fantasia sobre um Tema de Thomas Tallis”, escrita pelo compositor britânico Ralph Vaughan Williams, em 1910. Thomas Tallis foi um dos maiores compositores ingleses do século XVI. Em 1567, escreveu uma melodia simples e solene para que as pessoas pudessem acompanhar a leitura dos salmos cantando.

Séculos depois, Vaughan Williams redescobriu essa melodia e decidiu usá-la como base para criar uma “fantasia”, ou seja, uma composição livre que desenvolve e varia um tema já existente. Esta peça foi concebida, segundo o maestro Abel Rocha, para ser tocada em uma grande igreja. “Vaughan Williams, nessa obra, divide a orquestra de cordas em três grupos que ficam fisicamente espalhados. Todas as cordas da Ossa participam desse momento”, conta Abel Rocha.

A obra Punctum Remotum (Ponto Distante), composta para três orquestras pelo compositor brasileiro Flo Menezes especialmente para Santo André, será interpretada na sequência. A composição foi pensada de forma a dividir todos os músicos e instrumentos da Sinfônica andreense em três grandes grupos. “Um percussionista vai chegar a tocar nove instrumentos diferentes”, explica Abel Rocha. Nesta composição, Menezes brinca com as noções de proximidade, distância e perspectiva sonora, fazendo com que, em vez de o público receber o som de um único ponto focal, fique no meio de um fogo cruzado de diferentes texturas sinfônicas.

Na segunda parte do programa, o espetáculo faz um concerto para duas orquestras: a Ossa e a Filarmônica de Pasárgada, uma orquestra solista que se apresenta com instrumentos e voz. Costumam ser chamadas de solistas as orquestras em que cada um dos integrantes é um músico solista de renome. Formado em 1981 por estudantes de música da USP, o grupo tem como uma das principais fontes de inspiração os movimentos inovadores da música brasileira e tem se destacado pela forma inovadora com que mistura música erudita e pop. O nome do grupo é uma referência direta ao famoso poema “Vou-me embora pra Pasárgada”, de Manuel Bandeira.