O que você enxerga quando olha para uma cadeira? Apenas um objeto utilitário? Aos olhos dos artistas que participam da exposição Cadeira Proibida, que abre no próximo sábado (27/6) no saguão da Fundação das Artes (Rua Visconde de Inhaúma, 730, Bairro Oswaldo Cruz, São Caetano do Sul) esse objeto pode adquirir uma infinidade de significados.
Na exposição Cadeira Proibida, o objeto cotidiano deixa de existir como um simples móvel para ocupar um território simbólico e político. A cadeira, tradicionalmente associada ao descanso, à presença e ao encontro, transforma-se em metáfora da ausência, da censura e do impedimento, ecos que dialogam com os períodos de repressão vividos durante a ditadura militar brasileira.

Cada intervenção artística propõe um deslocamento de sentido: cadeiras costuradas, amarradas, cobertas, quebradas, suspensas ou interditadas revelam impossibilidades. Não se pode mais sentar. Não se pode permanecer. O objeto torna-se corpo silenciado.
Nas artes visuais, a intervenção sobre objetos cotidianos é uma estratégia potente para provocar estranhamento e reflexão. Ao modificar a cadeira, os artistas interrompem sua função prática e convidam o público a enxergar aquilo que normalmente passa despercebido. A cadeira deixa de servir ao corpo e passa a sustentar ideias, memórias e questionamentos.
Em diálogo com produções artísticas contemporâneas e conceituais, a exposição aproxima materialidade e experiência poética. A madeira, a palha, o ferro, os tecidos e os vestígios acumulados nas superfícies tornam-se registros simbólicos do tempo, da violência e da resistência. Algumas obras podem sugerir aprisionamento; outras, abandono, espera ou resistência silenciosa.
A “proibição” presente no título não deve ser compreendida apenas como negação física do ato de sentar, mas como reflexão sobre os mecanismos de controle que atravessam a sociedade: quem pode ocupar espaços, quem pode falar, quem é inviabilizado e quem permanece ausente.
Ao caminhar pela exposição, o público encontra cadeiras que já não oferecem conforto, mas experiência estética e sensível. Objetos comuns convertem-se em dispositivos de memória, capazes de transformar silêncio em imagem e ausência em presença poética.
Assim, Cadeira Proibida propõe uma travessia entre arte e reflexão histórica, onde cada intervenção revela que até os objetos mais simples podem carregar marcas profundas da condição humana e da liberdade.


















