Com a aproximação da Páscoa, torna-se quase impossível resistir à variedade de chocolates expostos em vitrines e prateleiras. Símbolo da data, a iguaria proporciona prazer imediato e pode até trazer benefícios quando consumida com moderação. No entanto, especialistas do Hospital Santa Casa de Mauá alertam que o consumo excessivo pode provocar impactos no organismo — da pele ao sistema digestivo, além de afetar a qualidade do sono.
Rico em antioxidantes, especialmente nas versões com maior concentração de cacau, o chocolate pode contribuir para o bem-estar e até estimular a produção de serotonina, neurotransmissor associado à sensação de prazer e bom humor. Ainda assim, o problema costuma estar na quantidade e no tipo consumido.

De acordo com o dermatologista Antonio Lui, o consumo excessivo de chocolate, principalmente os mais ricos em açúcar e gordura, pode desencadear reações na pele em pessoas predispostas. “Nesse período, é comum um aumento de pacientes relatando piora da oleosidade da pele e surgimento de acne. Isso acontece porque dietas ricas em açúcar estimulam processos inflamatórios e alteram o equilíbrio hormonal, refletindo na saúde da pele”, explica o médico.
O excesso também pode trazer desconfortos digestivos e metabólicos. O clínico geral Valdir Russo ressalta que a ingestão exagerada de chocolates pode provocar azia, refluxo, dores abdominais, sensação de estufamento e picos de glicose no sangue. “O chocolate é um alimento calórico e rico em gordura. Quando consumido em grandes quantidades e em curto espaço de tempo pode sobrecarregar o sistema digestivo e elevar os níveis de açúcar no sangue”, afirma.
Vale destacar que pessoas com diabetes, gastrite, refluxo ou intolerância à lactose devem ter atenção redobrada nesse período. Outro aspecto que muitas pessoas não associam ao consumo do chocolate é a interferência na qualidade do sono. O alimento contém substâncias estimulantes, como cafeína e teobromina que aumentam o estado de alerta do organismo.

Segundo o otorrinolaringologista Thiago Brunelli, quando consumido em excesso, principalmente à noite, o chocolate pode dificultar o relaxamento para o início do sono. “Algumas pessoas são mais sensíveis às substâncias estimulantes presentes no chocolate. Quando ingerido próximo ao horário de dormir, ele pode aumentar a agitação, dificultar o adormecer e até favorecer episódios de dor de cabeça ou enxaqueca em indivíduos predispostos”, explica.
Outro ponto de alerta está no impacto calórico. Dependendo do tamanho e do recheio, um único ovo de Páscoa pode ultrapassar o equivalente a várias refeições completas.
Resistir ao chocolate não significa renunciar ao prazer da data. Os especialistas recomendam cautela, como priorizar chocolates com maior teor de cacau, como os amargos ou meio amargos que costumam ter menos açúcar e proporcionam maior sensação de saciedade. Outra dica é fracionar o consumo, em vez de comer grandes quantidades de uma vez, vale dividir o chocolate em pequenas porções ao longo dos dias.
Manter uma alimentação equilibrada também faz diferença. Incluir frutas, fibras e beber bastante água ajuda a reduzir a vontade por doces e contribui para o bom funcionamento do organismo. Para quem sente dificuldade em controlar o impulso pelo chocolate, vale associar o consumo a momentos específicos do dia e evitar deixar o doce sempre à vista.
O Hospital Santa Casa de Mauá está localizado na Avenida Dom José Gaspar, 1374 – Vila Assis – Mauá – fone (11) 2198-8300. https://santacasamaua.org.br/ .



















