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Terra em Transe, filme que faz uma análise profunda da política brasileira, abre nesta quarta-feira (25), às 19h, a Minimostra Glauber Rocha, promovida pela Escola Livre de Cinema e Vídeo (ELCV) de Santo André em parceria com o programa de difusão cultural Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som).

Glauber Rocha é o cineasta que, com a máxima “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, mudou a história do cinema brasileiro, dando início ao Cinema Novo, movimento que buscava uma identidade brasileira autêntica.

A minimostra acontece gratuitamente entre os dia 25 e 27 de fevereiro, sempre às 19h, no equipamento A Casa (Centro Artístico de Santo André), que fica na Avenida Industrial, 1,740, bairro Campestre.

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O filme de abertura da mostra, Terra em Transe, embora tenha sido lançado em 1967, é atual até os dias de hoje. A história acontece em Eldorado, um país fictício da América Latina que simboliza o Brasil e onde vive Paulo Martins, interpretado por Jardel Filho, um jornalista e poeta idealista que se vê dilacerado entre duas forças políticas opostas e igualmente problemáticas.

Uma delas é representada por Porfírio Diaz, interpretado pelo ícone Paulo Autran, um líder conservador, místico e autoritário que representa as elites tradicionais e a direita. A outra é representada por Felipe Vieira, vivido por José Lewgoy, que é um governador populista e demagogo que representa as esperanças da esquerda e das massas.

O primeiro longa-metragem dirigido por Glauber Rocha, chamado Barravento, pode ser conferido na quinta-feira (26). Considerado o marco-zero da estética do cineasta, já que foi lançado em 1962, o filme traz uma história que se passa em uma vila de pescadores de Xaréu, na Bahia. O enredo foca em Firmino, interpretado por Antonio Pitanga, um homem que volta de Salvador e tenta convencer os pescadores de que a exploração que sofrem não é “vontade divina” ou “destino dos orixás”, mas sim uma questão política e social.

Lançado em 1964, ano do golpe militar, Deus e o Diabo na Terra do Sol é o último filme da mostra, com exibição programada para sexta-feira (27), também às 19h. Considerado por muitos críticos o filme mais importante da história do país, a obra traz Manuel, vivido por Geraldo Del Rey, um vaqueiro que se revolta contra a exploração imposta pelo coronel Moraes, interpretado por Mílton Roda, e acaba matando-o numa briga. Ele passa a ser perseguido por jagunços, o que faz com que fuja com sua esposa Rosa, vivida no cinema por Yoná Magalhães.

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Para Glauber, o cinema era uma ferramenta de libertação. Durante a ditadura militar e em seu exílio, ele usou suas obras para criticar o populismo, a corrupção e a fragilidade da democracia na América Latina. Seu último filme foi “A Idade da Terra”, lançado em 1980, um ano antes da sua morte aos 42 anos devido a problemas pulmonares.

Cinemão de Quinta – O projeto que leva filmes clássicos brasileiros ao Cine Theatro de Variedades Carlos Gomes, gratuitamente, todas as quintas-feiras, também aderiu à celebração de Glauber Rocha e traz no dia 26 o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, às 19h30. O Cine Theatro Carlos Gomes fica na Rua Senador Fláquer, 110, no Centro.