Vidro, alumínio, papel e papelão separados por cooperados são direcionados para reaproveitamento pelo setor produtivo; serviço rendeu R$ 1 milhão aos trabalhadores Fotos: Divulgação/PMSBC

O trabalho realizado pelas duas cooperativas de reciclagem de São Bernardo, Cooperluz e Reluz, faz parte das estratégias da Prefeitura para avançar cada vez mais no desenvolvimento sustentável da cidade, inclusive com investimentos e reforço nas ações de coleta seletiva. E o balanço que toma por base os números de janeiro a novembro mostra que cerca de 85 cooperados que atuam nas duas unidades evitaram que 6.326 toneladas de plástico, vidro, alumínio, papel e papelão fossem direcionados para reutilização pelo setor produtivo, ao invés de seguirem para o aterro sanitário.

O balanço mensal realizado pela Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Proteção Animal, responsável pelo repasse dos recursos, aponta que as duas cooperativas receberam pouco mais de R$ 1 milhão pelos serviços de triagem e destinação de materiais para reciclagem. O valor total de novembro, pago em dezembro, chegou a R$ 111.644,81, dos quais R$ 63.425,38 direcionados à Cooperluz e R$ 48.219,43 à Reluz. Juntas, as duas unidades destinaram exatas 600 toneladas para serem reutilizadas e transformadas em novos produtos.

A decisão do prefeito Marcelo Lima de promover o aumento levou em conta a importância do serviço realizado pelos cooperados — considerado como ‘agentes ambientais’ — para o meio ambiente, assim como uma forma de reconhecimento e valorização dos trabalhadores.

Fotos: Divulgação/PMSBC

 “Temos de valorizar o trabalho diário dos cooperados e cooperadas, que são verdadeiros guardiões do meio ambiente, pois transformam o que poderia virar lixo e poluir a terra em cuidado com a cidade e com a natureza. Os recursos que repassamos às cooperativas são um investimento no futuro da população de São Bernardo e do planeta, além da valorização de um trabalho essencial, que precisa ser reconhecido por todos”, pontuou o prefeito Marcelo Lima.

A Prefeitura de São Bernardo faz o repasse mensal às cooperativas por meio do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), instrumento adotado como estímulo a que pessoas desenvolvam atividades que colaborem com a proteção ao meio ambiente e à sustentabilidade, mas ainda pouco usado no País. O município paga R$ 185,96 por tonelada de materiais separados para reutilização, valor que, a partir de junho de 2025, teve reajuste de 51% aplicado pela Prefeitura. 

“A experiência do Pagamento por Serviços Ambientais destinado às cooperativas de material reciclável em São Bernardo é inovadora e de muitos impactos diretos e indiretos. Trata-se de um instrumento ambiental que auxilia no enfrentamento às mudanças climáticas, seja pela diminuição de resíduos destinados ao aterro sanitário, seja pela geração de renda e diminuição das desigualdades socioeconômicas”, comentou o secretário adjunto de Meio Ambiente, Matheus Graciosi.

Cooperado que atua na Cooperluz desde o início do projeto de cooperativas, há 28 anos – ainda no tempo do antigo Lixão do Alvarenga -, Reginaldo Rufino dos Santos tem plena consciência de que o trabalho foi um divisor de águas na sua vida e de toda a família. Pernambucano de 68 anos nascido na cidade de Cabo de Santo Agostinho, ele veio para São Bernardo em 1983 e trabalhou na área da segurança antes de passar a integrar a Cooperluz, que antes de ser formalizada era Associação Raio de Luz.

“A importância da cooperativa na minha vida e de minha família é imensa. Nesse período de 28 anos, conquistei minha casa própria e muitas outras coisas, como criar meus quatro filhos e ver todos formados em cursos profissionalizantes e agora trabalhando em boas empresas. Portanto, tenho uma vida estável e digna, tudo graças à cooperativa”, destacou Reginaldo.